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Categoria: EDUCAÇÃO Publicado em: 22/10/2025 10:45:18 |
Prestes a completar 46 anos, o guaraense Édio Cândido da Silva é mais um exemplo dos benefícios que o retorno aos estudos – seja em que idade for – pode proporcionar às pessoas.
Aos 14 anos, ele abandonou a 5ª série para trabalhar com o pai no corte de cana. Desde então, planejava voltar à escola. Com os atropelos da vida, ia adiando.
Foram dez anos na roça. Depois, outros quatro como eletricista autônomo. Em 2007, já casado com Adriana Costa Borges, foi contratado pela Usina Alta Mogiana, como auxiliar no setor de autos e máquinas leves e pesados.
Édio começou a subir na empresa. De auxiliar de eletricista passou a Eletricista 1, para Eletricista 2 e finalmente para Eletricista 3 – a partir daí, porém, não havia mais como prosperar, a não ser que...
A não ser que voltasse aos estudos!
“Comecei a subir dentro da empresa, mas daí chegou um ponto em que o estudo começou a fazer falta”, conta Édio. “Estou fazendo treinamento como líder de setor visando o cargo de encarregado”, ele acrescenta.
Para chegar a encarregado, entretanto, o treinamento de líder não basta. É necessário, segundo ele, um curso de nível superior. Um desafio e tanto, para alguém que havia deixado a escola no meio da 5ª série.
Aquele “um dia eu volto” então aconteceu. Em 2022, Édio matriculou-se na Escola Municipal Náufal Antônio Mourani, que oferece Educação de Jovens e Adultos (EJA) no período noturno, nas dependências da Escola Urbano de Andrade Junqueira.
Em pouco tempo, Édio cursou do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e, ao prestar o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA), validou também o ensino médio.
“O curso foi nos dando bagagem, nos preparando. Os professores passaram conteúdo pra gente encarar também o ensino médio”, conta Édio, que cuidou para que os filhos jamais abandonassem os estudos.
Priscila, aos 25 anos, está terminando o curso de Design Gráfico na Unifran em Franca e Thiago, aos 18, já é técnico em desenvolvimento de sistemas pela Escola Técnica Estadual José Ignácio Azevedo Filho, de Ituverava.
O próximo passo de Édio Cândido da Silva, visando o crescimento profissional na empresa em que trabalha, é prestar vestibular. O pensamento, por enquanto, está em cursar Engenharia da Computação, possivelmente na mesma faculdade onde hoje estuda a filha.
“A EJA me proporcionou conhecimento, abriu pra mim as portas para voltar a estudar e realizar o sonho de fazer uma faculdade”, ressalta Édio. “Não me considero velho para aprender. Quero aprender cada vez mais.”