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Categoria: EDUCAÇÃO Publicado em: 02/10/2025 16:05:23 |
Enquanto cuida de casa e pega serviços esporádicos como cuidadora de idosos e cozinheira em festas de finais de semana, Adriana Cândida da Silva de Oliveira planeja detalhes das cerimônias das quais participará no início do ano que vem.
Adriana terá colação de grau no dia 30 de janeiro e, na semana seguinte, o baile de formatura, para comemorar, em grande estilo, a conclusão no curso de técnica em enfermagem pela Unifeji, em Franca.
Até pouquíssimo tempo atrás, essa era uma situação inimaginável para alguém que, quase aos 58 anos de idade, havia feito apenas o ensino primário, na já longínqua década de 1970.
Nascida em Guaíra, Adriana veio para Guará, com a família, aos sete anos. Cursou o primário na Escola Municipal Helena Telles e, como ela mesmo diz, parou de estudar com 12 para 13 anos, para então se casar, com 14 para 15.
Logo ganhou o primeiro bebê e, a partir daí, ainda muito jovem, a vida passou a ser cuidar da casa, cuidar dos filhos e trabalhar na roça, cortando cana, apanhando algodão ou tirando pendão em lavouras de milho.
A vida era dura, e rude Adriana ficou. “Era muito boca dura. Tratava as pessoas do jeito que as pessoas me tratavam”, conta ela, sobre a relação com os colegas na roça e, em especial, com os fiscais de turma, a quem ela costumava responder no mesmo tom.
A situação mudou radicalmente – para melhor – quando, aconselhada por amigas e vizinhas, Adriana Cândida ingressou na Escola Municipal Náufal Antônio Mourani, para cursar a Educação para Jovens e Adultos (EJA) e, com isso, obter o Ensino Fundamental II.
Era 2023. Adriana concluiu o 6º ano e já prestou o Exame Nacional para Certificação de Competências (ENCCEJA). Aprovada, nem precisou cursar o 7º, 8º e 9º anos. Passou para o ensino médio, concluído rapidamente, após nova aprovação em novo exame.
Com os estudos, veio um novo estilo de vida. “Minha cabeça abriu”, conta Adriana. “Aprendi a me relacionar. Era muito nervosa, muito ignorante. Hoje sou mais calma, sei chegar aos lugares, tenho mais paciência, consigo conversar com as pessoas.”
Com uma rapidez impressionante, em seguida ao ensino médio Adriana obteve certificado de auxiliar em enfermagem, obtido em Franca. E é para lá que ela segue, todas as noites, no transporte universitário gratuito da Prefeitura, agora que está prestes a concluir Técnico em Enfermagem.
Para isso, precisará concluir o estágio de 600 horas exigido pela Unifeji. Quatrocentas e oitenta e quatro delas já foram cumpridas, em uma unidade básica de saúde em Franca. As outras 116 Adriana pretende cumprir, em breve, na Santa Casa de Guará.
E ela não pretende parar aí. O próximo passo é se especializar na área de enfermagem, provavelmente em prevenção e tratamento de feridas.
Os quatro filhos de Adriana nunca abandonaram os estudos. Ana Paula e Tailara, do primeiro casamento, são formadas em química e educação física, respectivamente. Mateus fez ensino médio e há 16 anos é caldeireiro na Usina Alta Mogiana. Vitória, a caçula do segundo casamento, é auxiliar em enfermagem e mira cursar medicina.
Para ingressar na EJA, Adriana Cândida conta que teve de superar comentários preconceituosos. “Críticos tentaram me desanimar, dizendo que eu estava velha para estudar”, conta. “Estou amando, me sentindo tão jovem...”, ela rebate. “Se pudesse dar conselho a alguém, eu diria: estude.”