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Categoria: ESPORTE Publicado em: 22/04/2025 15:22:53 |
Persistência talvez seja a palavra que melhor defina a história de Mateus Rodrigues Oliveira com a bola. Mosquito, como é conhecido, lutou a vida inteira contra a desconfiança de “olheiros” e contusões graves até se realizar profissionalmente ao disputar uma Copa do Brasil – segunda competição mais importante do calendário do futebol brasileiro – em jogos diante da equipe de maior torcida do País.
Em 2022, Mosquito integrava o elenco profissional da Associação Atlética de Altos, município de 47 mil habitantes na Grande Teresina, capital do Piauí. Indicado por um treinador amigo, o guaraense foi seduzido pela possibilidade de disputar um campeonato estadual, a tradicional Copa do Nordeste e, até, a Copa do Brasil, para a qual o Altos já havia se classificado.
Na primeira rodada da competição, o Altos enfrentou o Sport Recife, uma das principais equipes do Nordeste, em jogo único, em casa, com vantagem do empate para o visitante. Chamou atenção do País todo ao vencer por 1 a 0 e se qualificar para a segunda rodada.
Nesta fase, também em jogo único, mas sem vantagem para ninguém, encarou o ABC, outra tradicional equipe nordestina, em Natal. Após empate por 1 a 1, o Altos despachou a equipe de Alagoas nos pênaltis, 4 a 2. Na sequência, o chaveamento colocou um obstáculo ainda mais poderoso para o surpreendente Altos: o Flamengo de Gabigol, Arrascaeta, Bruno Henrique e companhia ilimitada.
No primeiro jogo, disputado no superlotado Estádio Albertão, em Teresina, Mosquito assistiu, do banco de reservas, ao golaço do colega Manoel, que abriu o placar com uma bicicleta. O Flamengo virou para 2 a 1, com Pedro e João Gomes. No jogo de volta, em Volta Redonda, Mosquito entrou nos minutos finais da derrota por 2 a 0.
“É uma sensação muito... é difícil até de explicar... muito louca”, afirma Mosquito, sobre a expectativa do grupo de jogadores do Altos em enfrentar o Flamengo e as partidas em si. “A passagem pelo Altos foi uma experiência muito boa, jogadores mais experientes, um nível de competitividade mais avançado”, ele avalia.
Filho de Josimar Augusto de Oliveira e Carmen Lúcia Rodrigues, Mateus começou a praticar futebol no projeto Águas de Guará, sob o comando de Daniel Nogueira, o Dié, e depois com o técnico Bodinho, no XV de Novembro.
O apelido é dessa época. “Surgiu do nada. O Bodinho dizia que eu era muito rápido, difícil de ser marcado, e me chamou de mosquito”, conta Mateus, que até hoje, aos 26 anos, a serem completados no próximo dia 29, exibe a figura magra que sempre o acompanhou.
Com a base obtida nas passagens com Dié e Bodinho, Mosquito passou a viajar para se submeter a “peneiras”. Esteve em cidades como Bauru, Lavras e Atibaia, para períodos de avaliação que duravam três, quatro meses. Sem ter conseguido indicação para alguma equipe, voltou a Guará, “desanimado”.
Começou a jogar no Univille, projeto esportivo comandado pelo pai. Em um jogo-treino contra o juvenil do Comercial, em Ribeirão Preto, Mosquito e o também atacante Otávio Henrique chamaram atenção.
Semanas depois, Mosquito assinou contrato com o sub-20 do Comercial, com registro em carteira, para jogar o Campeonato Paulista da categoria. No ano seguinte, teve o contrato renovado, agora com o profissional.
Com poucas chances no time principal, foi emprestado ao Osvaldo Cruz para jogar a Série B, a quarta divisão do Campeonato Paulista. Retornou ao Comercial e, encerrado o vínculo com o clube, voltou novamente para Guará.
“O técnico Carlinhos, que conheci no Comercial, ficou sabendo que eu estava parado e me contratou para o Taquaritinga, para jogar de novo a Bezinha”, afirma Mosquito, que, ao final da competição, voltou de novo para casa, até que o convite de Evandro Guimarães, de Uberaba, o levasse para o Piauí.
Ao descobrir que o problema no joelho era caso para cirurgia, Mosquito decidiu deixar o futebol profissional de lado. Trabalhou em um supermercado, em uma oficina mecânica e atualmente é soldador na empresa Busa.
É casado com Bruna Caldas dos Santos, com quem tem João Miguel, de sete anos, e Lucas, de sete meses. Davi virá em breve – Bruna está grávida de cinco meses. A família toda deve comparecer à cerimônia de abertura da 14ª Copa Guará de Futebol Infantil, neste sábado, 11 de janeiro, quando Mosquito vai receber homenagem da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer.